28/10/07

O Menino Triste d'aprés... Miguel Rocha- 3


O amigo que se segue é o Miguel Rocha.
Este desenho foi realizado com base na sua história "Borda d'água" (versão colorida), em 2006.
Com um registo mais próximo da pintura que do desenho, o Miguel possui uma obra impar no panorama nacional. Dedilhando nas suas obras as ambiências provincianas do interior do país, o Miguel Rocha alia ao seu excelente estilo pictórico, um profundo conhecimento das vivências sociais e humanas nessas paragens, quiçá algumas delas vividas (também) na primeira pessoa.

26/10/07

MALS e a Felicidade dO Menino Triste



MALS, cronista de BD há bastantes anos, escreve uma vez mais sobre O Menino Triste. Sem mais questões, aqui deixamos o texto:

A felicidade do Menino Triste

A dado passo de “A náusea”, Jean-Paul Sartre, o tal que nasceu e cresceu no meio de livros, invoca, através da sua personagem principal, que ser livre significa que já não resta nenhuma razão para viver, visto que todas as que experimentara cederam e já não conseguia imaginar outras. É pena, porque se tivesse conhecido o Menino Triste, teria concluído facilmente que do ímpeto de ser livre se encontram as mais díspares razões para viver e deslindam os alicerces ilimitados da imaginação.


Do fundo da sua fragilidade e da sua inocente ignorância, o Menino Triste encontra o seu lugar no mundo com base nos vastos conhecimentos contidos nos livros e daí liberta-se, mergulha na imaginação fervilhante, que pode ser propiciada pela “Alice no País das Maravilhas”, pelo “Pinóquio” ou pelo “Peter Pan”, pois do outro lado do “espelho” há meninos que querem ser gente, mesmo que não desejem crescer nunca mais.
E da imaginação, espicaçada pela curiosidade, se demanda a outros “mundos” que dão sentido ao mundo, em passos hesitantes mas sólidos pelos “bonecos”, pelas primeiras letras e pelas mundanidades, estejam elas na feira, no cinema ou na mercearia da esquina. E da descoberta vem o apelo da amizade e a necessidade de fintar o esquecimento.


Para O Menino Triste, que é a “projecção” natural do seu autor, num traço vigoroso e impressivo a meio caminho entre o caricatural e o realista, o dilema é ficar na memória, nem que seja apenas como delicado e diáfano herói de banda desenhada. Tal como os livros nos formam o carácter, também a força de vontade nos leva onde desejamos e em “Os Livros”, como eventualmente noutros trabalhos de J. Mascarenhas, tiramos a lição concludente de que podemos ser um pequeno “grão de eternidade”, quando somos livres, vivazes, inquietos, generosos, apaixonados e sonhadores. Dando largas à imaginação. Nostálgica e vibrante de deslumbramento.
Por isso é que o Menino Triste só o é de nome e fisionomia (melancolia?). Pode não ser alegre e endiabrado, mas dentro dele resplandece a luz inesgotável da felicidade. De existir, descobrir e sentir.

«O Menino Triste / Os Livros» de J. Mascarenhas – Ed. Extractus (Prémio de Melhor Fanzine no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora 2006)

22/10/07

Os Amigos de ÉmeTê - 4/8


Agora que já decorre o FIBDA 2007, e onde acaba de ser lançado o terceiro álbum da série O Corvo, de Luís Louro, deixo aqui a ilustração que o Luís realizou para a Exposição d’O Menino Triste em 2005.

Depois de vários anos a publicar em parceria com Tozé Simões (argumento), o Luís Louro aventurou-se a realizar algumas histórias de sua autoria. Contudo não tem deixado de colaborar aqui e ali com outros autores. É o caso deste terceiro álbum d’O Corvo – Laços de Família, em que o argumento é de Nuno Markl.

Ultimamente mais dedicado à fotografia (já com vários prémios internacionais de prestígio), fazemos votos para que o Luís nunca deixe de se dedicar também à Nona Arte. É que o Luís Louro faz falta à BD nacional!

Podem ver a sua página web aqui.

19/10/07

Prémio Nacional de Banda Desenhada - 2006


Agora que se inicia mais um Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, venho aqui recordar o Prémio atribuído a "Os Livros", na categoria de melhor Fanzine, na edição 2006 do Festival.
Os Prémios Nacionais de Banda Desenhada - Troféus Zé Pacóvio e Grilinho - são atribuídos anualmente entre as edições dadas à estampa durante todo o tempo que decorre entre duas edições do Festival. A votação é realizada entre os elementos da "Academia" inscritos na base de dados do Centro Nacional da Banda Desenhada e Imagem, sendo então atribuídos, nas várias categorias, os prémios mais prestigiantes da BD nacional.

17/10/07

O Menino Triste na Guerra das Estrelas


Entre 18 de Maio e 17 de Junho (2007), esteve patente no Centro Cultural Casapiano, em Lisboa, uma exposição sobre o universo dos filmes "Star Wars".
A exposição estava incluída no 1º Encontro Nacional Star Wars, organizado pelo Star Wars Clube de Coleccionadores - Portugal.
Além dos objectos, filmes e demais adereços referentes a este universo, foram exibidos alguns trabalhos de autores portugueses sobre o tema. O Menino Triste, que numa passagem pelos E.U.A. teve um breve papel de figuração num dos filmes (não sabiam?), colaborou com três trabalhos, um dos quais é aqui agora revelado.

11/10/07

O Menino Triste em "background"

Na BD que aqui podem ver, embora O Menino Triste não seja o tema central, ele é utilizado como tema de fundo.

Esta foi uma BD que realizei em 3D, e foi publicada no jornal "Mundo Universitário".

Dado o tema tratado, achei por bem realizar uma versão bilingue Português-Japonês. Aliás, este será um modus operandi de uma série de BD's que quero fazer nestes moldes, incluindo questões sentimentais, naves espaciais, robots... e beleza feminina!


08/10/07

Os Amigos de ÉmeTê - 3/8

Joana Lafuente, ou Khaamar, ou Kloa, em qualquer dos casos sempre a mesma (grande) qualidade.

É esta a amiga d'O Menino Triste que agora revelamos neste Blog. Participando com a ilustração que agora podem ver, na exposição que esteve patente no FIBDA 2005, Khaamar é detentora de uma técnica excepcional ao nível da utilização dos meios digitais, aliada a um traço muito suave, de influência manga, possuindo ainda um largo espaço de evolução.

Ansiamos por ver mais histórias completas da autora, além das já publicadas em zines como All-Girlzine, K-Zine, Funzip e na revista Games a Go-Go.
Podem ver mais trabalhos da Khaamar aqui.

30/09/07

O Menino Triste d'aprés... Boucq- 2

Conforme prometi, ao ritmo de um por mês, irei trazer aqui os desenhos da série “d’aprés...” que tenho vindo a realizar com autores nacionais e estrangeiros. Eis o referente a Setembro.

O autor inspirador deste mês é o francês Boucq, mais propriamente, através da sua personagem Jerôme Moucherot, o vendedor de seguros mais “non sense” à face do planeta. Boucq preencheu o balão que lhe deixei no desenho, e autografou-o, quando esteve no FIBDA 2005. Nele pode ler-se (e vou fazer uma tradução livre): “ E eis o provérbio: como o hábito transforma o monge!... eis como de um Menino Triste, o hábito exalta a besta feroz nele adormecida!...


Devo referir que muitas das vezes (e foi este o caso) não abordo os autores com antecedência, sendo estes apanhados de surpresa, o que torna ainda mais espectacular o efeito final, e reflecte os génios que eles realmente são.

28/09/07

Referências - 3


A referência gráfica que hoje vos apresento é uma foto tirada em 1968, à 2ª Classe da Escola dos Coqueiros (Nº9), em Luanda, e a respectiva vinheta do 2º livro.

A 2ª Classe era a única que naquela Escola funcionava no período da tarde, pelo que não tínhamos mais colegas para brincar. Digo “tínhamos”, pois esta é a minha 2ª Classe. Falta aqui o Jorge Godinho (o meu melhor amigo: andámos juntos desde a Maternidade até ao 1º Ano do Ciclo), que se encontrava de férias na “Metrópole”.

Vou tentar identificar os elementos dos quais (ainda) me lembro, deixando aqui um repto a quem, porventura está fotografado no grupo (ou não) e tenha acedido por um qualquer milagre a esta página, o favor de me ajudar à identificação total.

1- Eu, 2- Adelino, 3- Pinto, 4- ?, 5- ?, 6- Zé, 7- Vilaça, 8- António, 9- Fernando, 10- Nélson, 11- Carlos Alberto, 12- ?, 13- ?, 14- ?, 15- ?(prima do Carlos Alberto), 16- ?, 17- Elizete, 18- ?, 19- ?, 20- ?, 21- Arlete, 22- Janota, 23- ?, 24- Funcionário, 25- Fernanda?, 26- ?, 27- Esperança (prima do Janota), 28- Ostílio, 29- Professora (que era uma Profª de substituição, já que a nossa era a Dª Helena, que nesta altura estava de licença de parto - penso)

27/09/07

Os Amigos de ÉmeTê - 2/8

Andreia Rechena. Fixem bem este nome, pois é concerteza um dos nomes de que irão ouvir falar no Futuro como uma grande referência da Banda Desenhada (e Ilustração) Portuguesa. É também a primeira Amiga do ÉmeTê que aqui vamos listar, e que também participou na Exposição sobre “Os Livros” patente no FIBDA 2005, com a ilustração que é agora aqui disponibilizada.

Conhecemo-nos através da net e depois de uns contactos no cyberespaço, a Andreia enviou-me um desenho. Na altura, o Grupo Extractus (ao qual pertenço) estava a ultimar a edição do fanzine electrónico (em CD-ROM) CyberExtractus #1. Vendo o tal desenho, imediatamente a convidei a fazer uma BD, que seria editada em papel, e incluída no estojo do fanzine electrónico, como alguns de vocês devem estar recordados.

Possuidora de um estilo muito próprio e original, tem cadernos cheios de desenhos e apontamentos, que fariam a delícia de qualquer apreciador de (boa) Arte. Esperemos que ela os continue a editar, como tem feito através do recém editado fanzine [R]EJECT. Ainda por cima, a Andreia faz o favor de ser uma das Amigas do ÉmeTê. Podem ver os seus trabalhos aqui (http://zarzanga.blogspot.com/).

24/09/07

O Sorriso



Momentos existem nas nossa vidas que têm a capacidade de tornar clara a hierarquia das prioridades e escolhas que fizémos anteriormente. Acontecimentos ou relações, acções ou pensamentos, tudo se relativisa quando um desses momentos nos cruza o destino.

O que aqui vos conto, nesta história curta, é exactamente um desses momentos mágicos, que tornam muito mais feliz qualquer existência humana. Nela podem ver pela primeira (e quiçá única) vez, o Sorriso que desponta da face d’O Menino Triste. E que melhor senão o fundo da obra de Leonardo D’Avinci que imortalizou o sorriso mais enigmático de sempre, para servir de meio a essa realização.

Inicialmente editada no nº 105 do Tertúlia Bdzine de Setembro de 2006, editado por Geraldes Lino, tem a particularidade da sua quinta (e última página) ser um exlibris a cores. Na Tertúlia BD de Lisboa, foram distribuídos 100 exemplares numerados e assinados pelo autor.

21/09/07

Os Amigos de ÉmeTê - 1/8


Além da Inteligência, os deuses deram-nos também o dom da Amizade. Esta, para mim, é algo que está praticamente acima de todas as coisas. A verdadeira Amizade. Contrariamente ao que diz o ditado, acho que a Amizade não é para as ocasiões: a Amizade é para SEMPRE.

O Menino Triste, embora os dedos das mãos cheguem para contar os anos da sua existência, conta já com uma quantidade razoável de Amigos, e dos verdadeiros.

Foi com base nessa Amizade, que convidei alguns Amigos a tomarem parte na Exposição que esteve patente durante o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, em 2005. Vou aqui colocar, um a um, os trabalhos dos autores/amigos participantes.

Começo com o que primeiro me entregou o seu trabalho – Daniel Maia. Penso que mesmo nos EUA, haverá poucos desenhadores como o Dany. A sua qualidade no estilo comics é simplesmente excepcional. Tarda apenas em afirmar-se de vez. Porquê?

16/09/07

Os Beatles em "background"



Continuando com as referências gráficas que tenho utilizado nos livros d'O Menino Triste, deixo agora esta aqui, que utilizei no segundo livro.
Os Beatles. Sim, os Beatles. Nesta foto, proporcionaram-me a inspiração para a vinheta que aqui podem ver. O espírito jocoso da mesma, e a eterna brincadeira da luta de almofadas que todas as crianças adoram fazer, deram origem à vinheta.
Trata-se de uma cena em que O Menino Triste brinca no quarto com os seus amigos de infância, que tinha descoberto nos livros que entretanto ia lendo.
Para quem não (re)conhecer, as personagens da vinheta são o Peter Pan, O Menino Triste, O Principezinho e o Pinóquio (com mais uma mentira!).

31/08/07

O Menino Triste d'aprés... José Carlos Fernandes - 1


Corria o ano de 2005, e durante o FIBDA desse ano ocorreu-me a seguinte ideia:

Então e se eu desenhasse O Menino Triste no estilo de outros autores?


O primeiro que me ocorreu, porque na altura estava exactamente ao meu lado, foi o José Carlos Fernandes. Depois de lhe ter falado da minha ideia, ele concordou, e dias depois apareci com o desenho que agora podem aqui ver, feito por mim, e deixando apenas um balão para o JCF preencher com a sua mestria.
A cena parodia o Director do Museu Nacional do Acessório e do Irrelevante, Roberto Rosz.


Espero que gostem, e tenho mais alguns já feitos, ao estilo de outros autores (nacionais e internacionais). Todos os meses irei deixar aqui um.

27/08/07

José Gomes Ferreira e O Menino Triste


Aquando das comemorações do centenário do nascimento de José Gomes Ferreira (1900-1985), realizou-se no dia 13 de Setembro de 2001, no Cine-Teatro Tivoli em Lisboa, um Concerto promovido pela C.M.L., em que participaram Armando Vidal ao piano e ainda a Orquestra Metropolitana de Lisboa, com direcção de César Viana.

De entre as obras interpretadas por Armando Vidal, destaca-se uma, um scherzo para piano, composto em 1928 por José Gomes Ferreira, e de nome “Menino Triste”. Esta peça, como aliás quase toda a música para piano de José Gomes Ferreira, foi escrita quando ele foi Cônsul em Kristiansund, na Noruega, entre 1925 e 1929.

Infelizmente não assisti a este concerto, mas a C.M.L. através dos seus Serviços Culturais, ficou de editar em CD (terá já saído?), a gravação do espectáculo realizado exactamente na altura em que era editado o primeiro livro do meu Menino Triste.

Como é óbvio, esta música nada tem a ver com a B.D. do MT, mas gostava de a conhecer. Já agora, se porventura alguém tiver conhecimento desta obra de José Gomes Ferreira, editada em algum CD ou em partitura, e me queira deixar aqui alguma indicação, ficaria imensamente grato.

Quem de certeza poderá saber algo sobre esta peça, como é óbvio, deverá ser o Maestro António Vitorino de Almeida, que participou em Março de 2001 na Academia de Música de Lisboa, numa palestra do ciclo “A Palavra e a Música”, de Homenagem a José Gomes Ferreira. Se alguém o conhecer pessoalmente… ou ao Maestro Armando Vidal...